terça-feira, 29 de junho de 2010

Poema de Inverno

 Dormem as buganvílias, o róscido da manhã.
Gatos que passam, levando sombras consigo.
E por todo o jardim, insectos voltejam,
tontos de janelas.

Acendem-se as primeiras luzes… aracnídeos
montam suas tendas, entre as frestas, da madeira
carcomida.

Caem algumas gotas de água, pendendo das telhas
humedecidas… ao arrepio do vento matinal.

E ao longe já se escutam os primeiros pássaros,
trinando recentes vislumbres, de claridade.

Latem cães… no fim da cidade. 

Choram crianças… cujo os nomes não sei.
Puxo-te para mim. E acordo-te com um beijo.

Vide, amor, é o inverno, que chega!

Jorge Humberto

Movimento do Vento

Os telhados da vila
se aquietam cedo
no tardar do dia,
amornados pelo toco
da vela do crepúsculo.

Mais adiante
da prumada dos tapumes
nos beirais sem janelas,
os ninhos tramados
e os ecos dos pios
anunciam a noite...

Como um manto,
a noite cobre os telhados.
E sob os telhados,
a noite beija.

 



O galo do canto rouco
canta uma vez
e se aninha nas galhas
mais altas da figueira.

O galo ronca.
Silêncio:
a vila dorme.

Edilson José

Poeminha de Inverno


Nos fios ao sol
Piam baixinho
As andorinhas
Quentando frio.

Do céu de palha
Queimada
Chuva de carvão
Flutua até as mãos,
Mãos pequeninas

 


Na esquina
Moça de sobrancelha cerrada,
Face rosada
Esconde as pernas esbranquiçadas

E, da janela,
O menino dos olhos congelados
Espirra um sorriso
Pra rosa vermelha murchada.

Edilson José

Jeca Bento - Arraial da Providência 2009.

Soneto a São Pedro – Patrono dos Pescadores

São Pedro, Protetor dos pescadores,
Ouvi a prece de todos que lutam,
Lançando as redes às águas, labutam
Desde o nascer do sol em seus albores...

Em busca de alimentos, só escutam

O marulhar constante e sonhadores
Vogam no mar... são os trabalhadores
Que apenas com a natureza disputam...

Voltam à casa, após a longa viagem,

Em que enfrentaram ondas com a coragem,
Que Deus lhes dá e o santo os protegeu...

Trazem os peixes que alimentam lares,

Por que trabalham percorrendo os mares...
Foi para isto que o pescador nasceu !

Ialmar Pio Schneider

quarta-feira, 23 de junho de 2010

A Casa

Uma casa se avista em coqueiros
em formas de ripas,
Uma casa enche a vista,
simples bambus
envoltos em barro.
Nem imagina o
que se passará por entre
 as suas portas e janelas
telhado e assoalho.
Tudo é novo,
ingenuidade infantil.
Beleza da juventude...
Ela cresce...
simultaneamente,
crianças crescem.
E à medida que envelhece...
sofre!

A cada perda, cai-lhe
um torrão da parede...
E sorri!
A cada conquista
também festeja.
Vibra em alegria ao
primeiro som da vitrola.
E brinca com os
passos pesados de dança
e sons instrumentais
em seu assoalho.
E se recolhe nas despedidas
de filhos seus sim,
nasceram e viveram em suas entranhas
Por que não mãe?
Pra vê-los novamente?
Certamente não,
nem todos...
Urra dor de mãe...
És matéria, não falas
  - diriam alguns...
 Ilusão, ela diz,
em cada marca.

Em suas gastas e velhas 
paredes...rabiscadas...
com cada imperfeição...
conta tudo que passa,
tudo que viu...
Não te trocaria por nada,
tem mérito de Pai,
tem força de Pai.
Mesmo gasta, mesmo imperfeita
reconheço,
pena dos que não foram
criados em
você...


Ednei Clemente

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Alma Gêmea

Por você eu tenho feito
E faço tudo que puder
Prá que a vida seja
Mais alegre
Do que era antes...

Tem algumas coisas
Que acontece
Que é você
Quem tem que resolver
Acho graça quando
Às vezes louca
Você perde a pose
E diz: "foi sem querer"...

Quantas vezes
No seu canto em silêncio
Você busca o meu olhar
E me fala sem palavras
Que me ama, tudo bem
Tá tudo certo
De repente você põe
A mão por dentro
E arranca o mal pela raiz
Você sabe como me fazer feliz...


Carne e Unha
Alma Gêmea
Bate coração
As metades, da laranja
Dois amantes, dois irmãos
Duas forças, que se atraem
Sonho lindo de viver
Estou morrendo, de vontade
De você!...

Quantas vezes no seu canto
Em silêncio você busca
O meu olhar
E me fala sem palavras
Que me ama, tudo bem
Tá tudo certo
De repente você põe
A mão por dentro
E arranca o mal pela raiz
Você sabe como me fazer feliz...

Carne e Unha
Alma Gêmea, bate coração
As metades, da laranja
Dois amantes, dois irmãos
Duas forças, que se atraem
Sonho lindo, de viver
Tô morrendo, de vontade
De você!...

Bate coração!
As metades, da laranja
Dois amantes, dois irmãos
Duas forças, que se atraem
Sonho lindo, de viver
Tô morrendo, de vontade
De você!...

 Fábio Jr.

Dia dos Namorados

Diz um ditado popular que
"o amor é uma flor roxa que nasce no coração dos trouxas". 
E numa canção do tempo de ouro do rádio, 
cantada por Carmem Miranda, também ouvimos: 
"essa história de gostar de alguém/é uma mania que as pessoas têm/
se me ajudasse, nosso Senhor/eu não pensaria mais no amor".
Ninguém é trouxa por amar, 
o amor é considerado um dos sentimentos mais nobres do ser humano, 
mas que parece uma mania, ah, lá isso parece. 
Basta dar uma olhadinha na internet para ver a quantidade de sites de namoro, 
relacionamentos e encontros. 
Todo mundo atrás de um amor.
As paqueras no colégio, nos bares, na praia, cartas, torpedos,
telefonemas, e-mails, a flecha do cupido encorajando os corações
- dos mais arrojados aos mais tímidos - a se declararem.
 A irem em busca de seu par.
Conta uma antiga lenda que, no princípio,
homens e mulheres eram uma coisa só,
feminino e masculino unidos completamente,
colados um ao outro em um abraço universal. 
Castigados pelos deuses, por tentarem se igualar a eles, 
foram descolados para sempre e, por conta disso, 
vivem buscando até hoje a outra metade descolada. 
Sua metade da laranja.





Mania ou não, 
bom mesmo é estarmos com nossa metade no dia dos namorados.
E nos sentirmos mais nobres, mais completos, por amar, amar, amar...