terça-feira, 27 de novembro de 2012

O Segredo do Casamento


 Meus amigos separados não cansam de me
perguntar como eu consegui ficar casado trinta anos com a mesma mulher. 

As mulheres, sempre mais maldosas que os homens, não perguntam a minha esposa 
como ela consegue ficar casada com o mesmo homem, 
mas como ela consegue ficar casada comigo.
Os jovens é que fazem as perguntas certas, ou seja, 
querem conhecer o segredo para manter um casamento por tanto tempo.
Ninguém ensina isso nas escolas, pelo contrário. 
Não sou um especialista do ramo, como todos sabem, mas, dito isso, 
minha resposta é mais ou menos a que segue.
Hoje em dia o divórcio é inevitável, não dá para escapar. 
Ninguém agüenta conviver com a mesma pessoa por uma eternidade. 
Eu, na realidade, já estou em meu terceiro casamento 
- a única diferença é que me casei três vezes com a mesma mulher. 
Minha esposa, se não me engano, está em seu quinto, 
porque ela pensou em pegar as malas mais vezes do que eu.
O segredo do casamento não é a harmonia eterna. 
Depois dos inevitáveis arranca-rabos, a solução é ponderar, 
se acalmar e partir de novo com a mesma mulher. 
O segredo no fundo, é renovar o casamento, e não procurar um casamento novo. 



Isso exige alguns cuidados e preocupações que são esquecidos no dia-a-dia do casal. 
De tempos em tempos, é preciso renovar a relação. 
De tempos em tempos, é preciso voltar a namorar, voltar a cortejar,
 voltar a se vender, seduzir e ser seduzido.
Há quanto tempo vocês não saem para dançar? 
Há quanto tempo você não tenta conquistá-la ou conquistá-lo 
como se seu par fosse um pretendente em potencial? 
Há quanto tempo não fazem uma lua de mel, 
sem os filhos eternamente brigando para ter a sua irrestrita atenção?
Sem falar nos inúmeros quilos que se acrescentaram a você, depois do casamento. 
Mulher e marido que se separam perdem 10 quilos num único mês, 
por que vocês não podem conseguir o mesmo? 
Faça de conta que você está de caso novo. 
Se fosse um casamento novo, 
você certamente passaria a freqüentar lugares desconhecidos,
 mudaria de casa ou apartamento, trocaria seu guarda-roupa, 
os discos, o corte de cabelo e a maquiagem. 
Mas tudo isso pode ser feito sem que você se separe de seu cônjuge.
Vamos ser honestos: ninguém agüenta a mesma mulher ou marido por trinta anos 
com a mesma roupa, o mesmo batom, com os mesmos amigos, com as mesmas piadas. 
Muitas vezes não é sua esposa que está ficando chata e mofada, 
são os amigos dela (e talvez os seus), são seus próprios móveis com a mesma desbotada decoração. 
Se você se divorciasse, certamente trocaria tudo, 
que é justamente um dos prazeres da separação. 
Quem se separa se encanta com a nova vida, a nova casa, 
um novo bairro, um novo círculo de amigos.
Não é preciso um divórcio litigioso para ter tudo isso. 
Basta mudar de lugares e interesses e não se deixar acomodar. 
Isso obviamente custa caro e muitas uniões se esfacelam 
porque o casal se recusa a pagar esses pequenos custos necessários 
para renovar um casamento. 
Mas, se você se separar, sua nova esposa vai querer novos filhos, 
 novos móveis, novas roupas, 
e você ainda terá a pensão dos filhos do casamento anterior.
Não existe essa tal "estabilidade do casamento", 
nem ela deveria ser almejada. 
O mundo muda, e você também, seu marido, sua esposa, 
seu bairro e seus amigos. 
A melhor estratégia para salvar um casamento não é manter uma "relação estável", 
mas saber mudar junto. 
Todo cônjuge precisa evoluir, estudar, aprimorar-se, interessar-se por coisas 
que jamais teria pensando fazer no início do casamento. 
Você faz isso constantemente no trabalho, 
por que não fazer na própria família? 
É o que seus filhos fazem desde que vieram ao mundo.
Portanto, descubra o novo homem ou a nova mulher que vive ao seu lado, 
em vez de sair por aí tentando descobrir um novo e interessante par. 
Tenho certeza de que seus filhos os respeitarão pela decisão 
de se manterem juntos e aprenderão a importante lição 
de como crescer e evoluir unidos apesar das desavenças. 
Brigas e arranca-rabos sempre ocorrerão: 
por isso, de vez em quando é necessário casar-se de novo,
 mas tente fazê-lo sempre com o mesmo par.



 Stephen Kanitz


sábado, 20 de outubro de 2012

Simplesmente Chegar

As pessoas falam das outras, com mágoa
ao invés de matarem essa sede com água

àgua do olhar dos meninos, filhos, sobrinhos, afilhados.

Estamos quase ilhados e dando maus exemplos

Deixando de fazer amigos e fazendo tormentos.

Vivemos um tenso momento onde o sorriso

tem que valer mais que a fúria

pois o coração é quem tudo segura e

muitas vezes se desfaz em dor

Ele nasceu para o amor

ele não tem tempo, nem idade

nasceu para felicidade

e quem não quiser assim,

não pode olhar para mim

pois estou longe da inveja

quero aprender mais e não competir

quero o que sempre vivi

ter mais amigos e caminhar pelos trilhos

chegar sempre onde está o amor

seja a lonjura que for

quero simplesmente chegar.

Paulinho Pedra Azul
 

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Piano Bar

O que você me pede eu não posso fazer
Assim você me perde e eu perco você
Como um barco perde o rumo
Como uma árvore no outono perde a cor

O que você não pode, eu não vou te pedir

O que você não quer, eu não quero insistir
Diga a verdade, doa a quem doer
Doe sangue e me dê seu telefone

Todos os dias eu venho ao mesmo lugar
Às vezes fica longe e impossivel de encontrar
Mas quando o neon é bom
Toda noite é noite de luar

No táxi que me trouxe até aqui
Bob Marley me dava razão
As últimas do esporte , hora certa
Crime e Religião

Na verdade nada
É uma palavra esperando tradução

Toda vez que falta luz
Toda vez que algo nos falta (alguém que parte e não volta)
O invisível nos salta aos olhos
Um salto no escuro da piscina

O fogo ilumina muito, por muito pouco tempo
Por muito pouco tempo, em muito pouco tempo
O fogo apaga tudo, tudo um dia vira luz
Toda vez que falta luz, o invisível nos salta aos olhos

Ontem à noite, eu conheci uma guria
Já era tarde, era quase dia
Era o princípio num precipício
Era o meu corpo que caía

Ontem à noite, a noite tava fria
Tudo queimava, nada aquecia
Ela apareceu, parecia tão sozinha
Parecia que era minha aquela solidão

Ontem à noite, eu conheci uma guria, que eu já conhecia
De outros carnavais, com outras fantasias
Ela apareceu, parecia tão sozinha
Parecia que era minha aquela solidão

No iníco era um precipício
Um corpo que caía
Depois virou um vício, foi tão difícil
Acordar no outro dia

Ela apareceu, parecia tão sozinha
Parecia que era minha aquela solidão
Parecia que era minha


Engenheiros do Hawaii 


 

quinta-feira, 22 de março de 2012

Água

Água!
Tu não tens gosto, nem cor nem aroma.
Não podemos definir-te,
Saboreamos-te sem te conhecermos.
Tu não és necessária à vida: tu és a própria vida!
Tu penetra-nos dum prazer
Que não se explica pelos sentidos.
Contigo reentram em nós os poderes
Aos quais tínhamos renunciado…
Por tua graça,
Abrem –se em nós todas as fontes corrompidas do nosso coração
Tu és a maior riqueza que existe no mundo,
E és também a mais delicada,
Tu, tão pura no ventre da terra.
Pode-se morrer a dois passos dum lago de água salgada.
Pode-se morrer de dois litros de orvalho que alguns sais retêm em suspensão.
Tu não aceitas mistura alguma,
Tu não suportas alteração alguma,
Tu és uma desconfiada divindade…
Mas tu espalhas em nós
Uma felicidade infinitamente simples.


Extraído do livro Terra dos Homens, de Antoine de Saint-Exupéry
  

terça-feira, 20 de março de 2012

Palavras que Machucam


Dói-me o peito em carne viva.
O que poderia ser mais doído
Do que alguém querido te ferir,
com palavras que entram pelo ouvido,
penetram no cérebro, na alma,
vão consumindo ossos, músculos, nervos,
carne e pele, como um câncer exógeno,
um ácido que corrói alegria e simpatia.
Imagino um pássaro que pousou em sua janela,
cantou puro e foi alvejado e morto.
Uma borboleta que pousou em sua mão,
bela e confiante, e por elas foi esmagada.
Por onde andava teu coração nesta hora?
Imaginou-se seguro para machucar,
atingir a auto-estima e a felicidade?
Por que achou que seria bálsamo para as feridas
existentes em seu vituperado interior?
Conhece a mágoa mas não a sensibilidade.
E depois tenta convencer que nada fizeste...
Se não posso curar-te com meu carinho
Deixe o pássaro ir.
Deixe a borboleta voar.
Deixe Deus entrar.
Pra você sair dessa carapaça desumana...


Elisa Maria Gasparini

quinta-feira, 8 de março de 2012

Mulher

Pobre daquele que não reconhece o seu valor
Infeliz aquele que nunca sucumbiu a seu encanto,
Pois emerge dessa criatura, repleta da luz
que ofusca a visão de qualquer mortal ,
um ser místico, ora delicado ora felino e fatal,
nascendo no olhar ingênuo de uma menina
Conscientemente ou não, pelo destino preparada
para competir com igualdade por seu lugar
no mundo inóspito, inescrupuloso e machista
regido pela ganância mercantilista e egoísta.
Também para ser mãe e lutar por sua prole feito heroína,
não importa sua nacionalidade, religião, raça ou cor ,
profissão, posição política tampouco social,
o que vale é o tato, a intuição, o carisma, o pé no chão
a firmeza de que dispõe, constante na busca do seu ideal
sem jamais perder a angelical delicadeza maternal
Sem esses adjetivos, próprios da alma feminina,
nossa existência decerto seria tristemente banal
Somente um dia em tua homenagem é muito pouco;
todos os elogios dos poetas nunca poderão expressar
que a mulher é portal da luz da vida, do verdadeiro amar
Então, continue nos ofuscando com seu brilho essencial,
e que me desculpe o grande mestre Vinícius de Moraes
pois, independentemente de ser bela, a mulher é fundamental.
Valter Montani

domingo, 1 de janeiro de 2012

Dolly Dolly

Corra, ponha os pés nessa estrada
Que não vai dar em nada
Que adianta fingir
Seja tola, mal educada
Uma pessoa gelada
Ovelha Dolly, Dolly
Corra, ponha os pés nessa estrada
Que não vai dar em nada
Que adianta fingir
Seja tola, mal educada
Uma pessoa clonada
Ovelha Dolly, Dolly
Andar, andar, fugir assim
Andar, andar, volta pra mim
Seja boba, bem debochada
Diga que chegamos ao fim
Fale que vai bem, muito amada
E vive um conto de fadas
Nem se lembra mais de mim
Andar, andar, fugir assim
Andar, andar, volta pra mim.

Alceu Valença